Eu posso contar das minhas conversas intermináveis sobre filmes, políticas ou até mesmo esportes (com a copa do mundo sendo realizada e a iminência dos jogos olímpicos), mas uma vez que eu tenha decidido sobre o assunto da postagem dificilmente me desvio. Hoje está sendo um plantão atípico em volta do Hospital Publico de Betim. É claro que atender a presos e ora ou outra a acidentes gravíssimos na BR, não é necessariamente uma atipicidade, mas quando vc atende a todos os tipos de acidentes num mesmo plantão, vc o classifica, querendo ou não como um plantão pauleira.
Meu parceiro de plantão é uma pessoa muito ativa e assume sozinho a maioria das ocorrências, enquanto eu colho informações para enriquecer meu universo. Ainda que eu não goste de ver acidentados muito graves (ainda me dá medo - ppmente a noite quando o sono vem)... Lágrimas permeiam a noite e dores quase palpáveis podem ser sentidas em todos os lugares. A dor física, a dor de perder um ente querido (uma dor forte, caracterizada pelo impacto), ou a dor de ver este ente em processo de sofrimento continuo (uma dor caracterizada pela intermitência)... Há dor por todos os lados e todos os lugares. Mas também há outras coisas... Enfermeiras de jaleco aberto, mostrando seus 'talentos' não tão sutis, flerte, piadas... Geralmente os profissionais da saúde tem a mente mais aberta e não mede muito as palavras ou as brincadeiras, ainda que sempre estejam com palavras de consolo a mão ou mesmo uma expressão de piedade que parece ter sido talhado durante os cursos preparatórios. E o porque essas pessoas são tão mais divertidas (em momentos apropriados para tal)? Porque tem que lidar com emoções mais complicadas, com perdas, com lagrimas, dores, mortes... o sofrimento é um sentimento extremamente corrosivo e pode te afetar muito mais do que a alegria... vc pode sorrir com outros sorrisos, mas nem sempre precisa de lágrimas alheia para chorar... O que as pessoas querem é que a dor passe, o mal acabe e tudo seja parte do passado e cabe aos profissionais envolvidos fazer alguma 'magica' para que esse procedimento assim ocorra... É isso que seu 'paciente' quer de vc, quer q vc faça o sofrimento acabar e inconscientemente transfere parte da carga para eles.
Em determinado momento eles se cansaram de carregar algo tao pesado, querem q os profissionais da saúde carreguem essa carga por eles. Então com tantas emoções negativas, as opções são escassas... Vc pode absorver essas energias negativas ou neutraliza-las com um sorriso, com uma brincadeira com um gesto de companheirismo. É claro que sempre há aqueles que se enganam e confundem o nível de companheirismo, mas até mesmo esses tem o seu grau de abono considerando todas as coisas que veem e fazem todos os dias. Crianças, idosos, religiosos, grandes, pequenos, pobres, milionários... Depois de cortados, percebe-se que a carne é vermelha e que o grito de dor que sai independe de quaisquer fatores externos. Nesse momento ninguém quer ficar sozinho, existe ainda um sentimento muitíssimo poderoso: 'o medo'. Medo de não acabar, da dor não passar, medo de ficar sozinho (vc já está sozinho com a sua dor). Na verdade somos guerreiros, eu talvez menos já que observo mais do que intercedo, mas todos nos o somos, porque carregamos nossas cargas e ainda temos 'lombo' para carregar as cargas alheias... Se o paciente vem num sedã ou em um carrinho de mão, não importa, no fim todos querem a mesma coisa: "fazer essa dor parar".
Meu parceiro de plantão é uma pessoa muito ativa e assume sozinho a maioria das ocorrências, enquanto eu colho informações para enriquecer meu universo. Ainda que eu não goste de ver acidentados muito graves (ainda me dá medo - ppmente a noite quando o sono vem)... Lágrimas permeiam a noite e dores quase palpáveis podem ser sentidas em todos os lugares. A dor física, a dor de perder um ente querido (uma dor forte, caracterizada pelo impacto), ou a dor de ver este ente em processo de sofrimento continuo (uma dor caracterizada pela intermitência)... Há dor por todos os lados e todos os lugares. Mas também há outras coisas... Enfermeiras de jaleco aberto, mostrando seus 'talentos' não tão sutis, flerte, piadas... Geralmente os profissionais da saúde tem a mente mais aberta e não mede muito as palavras ou as brincadeiras, ainda que sempre estejam com palavras de consolo a mão ou mesmo uma expressão de piedade que parece ter sido talhado durante os cursos preparatórios. E o porque essas pessoas são tão mais divertidas (em momentos apropriados para tal)? Porque tem que lidar com emoções mais complicadas, com perdas, com lagrimas, dores, mortes... o sofrimento é um sentimento extremamente corrosivo e pode te afetar muito mais do que a alegria... vc pode sorrir com outros sorrisos, mas nem sempre precisa de lágrimas alheia para chorar... O que as pessoas querem é que a dor passe, o mal acabe e tudo seja parte do passado e cabe aos profissionais envolvidos fazer alguma 'magica' para que esse procedimento assim ocorra... É isso que seu 'paciente' quer de vc, quer q vc faça o sofrimento acabar e inconscientemente transfere parte da carga para eles.
Em determinado momento eles se cansaram de carregar algo tao pesado, querem q os profissionais da saúde carreguem essa carga por eles. Então com tantas emoções negativas, as opções são escassas... Vc pode absorver essas energias negativas ou neutraliza-las com um sorriso, com uma brincadeira com um gesto de companheirismo. É claro que sempre há aqueles que se enganam e confundem o nível de companheirismo, mas até mesmo esses tem o seu grau de abono considerando todas as coisas que veem e fazem todos os dias. Crianças, idosos, religiosos, grandes, pequenos, pobres, milionários... Depois de cortados, percebe-se que a carne é vermelha e que o grito de dor que sai independe de quaisquer fatores externos. Nesse momento ninguém quer ficar sozinho, existe ainda um sentimento muitíssimo poderoso: 'o medo'. Medo de não acabar, da dor não passar, medo de ficar sozinho (vc já está sozinho com a sua dor). Na verdade somos guerreiros, eu talvez menos já que observo mais do que intercedo, mas todos nos o somos, porque carregamos nossas cargas e ainda temos 'lombo' para carregar as cargas alheias... Se o paciente vem num sedã ou em um carrinho de mão, não importa, no fim todos querem a mesma coisa: "fazer essa dor parar".


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