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terça-feira, 11 de novembro de 2014

O COMEÇO

Tudo parecia fazer parte de um sonho, ainda estava escuro lá fora e o ambiente dessa casa sempre me deixava com uma sensação de irrealidade como se as paredes fossem se desfazer ao simples toque da minha mão. Todos os dias ao abrir os olhos eu tinha essa sensação, mas ao procurar as pistas estavam elas todas lá. A minha prancha ainda quente no banheiro e eu nem sabia quem a usava, mas todos os dias quando eu acordava ela já estava quente, era sinistro imaginar que alguém entrara no meu quarto enquanto ainda estava dormindo e usara meu banheiro... A bem da verdade, muita coisa estranha acontecia nessa casa, por exemplo, o fato de que eu não me lembro de nenhuma parte da minha infância e nem de uma família real, me lembro q sempre foi assim. Não adiantava perguntar, eu quase não me encontrava com nenhum deles, esbarrava com eles pela casa ao que me balbuciava um cumprimento e passava adiante com os rostos pensativos e as vezes contemplando a paisagem... A casa era uma dessas casas de fazenda antiga, ainda que como se colhia e produzia eu não sabia, já tentara descobrir, mas não conseguira pegar sequer um trabalhador entre os pomares ou nas cocheiras, ao redor disso, tudo era um emaranhado de arvores e vegetação q se adensava a medida que se entrava nela. Eu sabia meu endereço, apesar de nunca ter ido muito longe, estava no Mato Grosso, estava entre a cidade de Passo da Julia e Esperança da índia, me lembro vagamente de uma vez em que fui a cidade comprar coisas pessoais e alguém me perguntara de onde eu era e logo saiu um: "Sou mineira", sem querer... alguma coisa me dizia que eu já tinha estado em Minas Gerais e o vinculo com esse estado era forte, nesse dia não apareceu ninguém na casa enquanto minha vontade de perguntar não sedia, até q achei q estava sozinha, então, novamente eles começaram a aparecer de relance. Gostava de ler sob as arvores coníferas e quando tinha um tempo bom, nadava um pouco no rio q passava pelo meio de toda aquela vegetação, era maravilhoso... Mas não compensava toda aquela duvida, eu não sabia o que eles eram, mas sabia que não eram normais e já me acostumara com isso. Vez por outra havia uma agitação na casa que era quebrada por uma ainda mais anormal calmaria... Eram cinco e hoje ao abrir os olhos havia uma eletricidade quase palpável no ar, se eu soubesse que o dia seria uma loucura, teria voltado para a cama...

escrito por Lilian Santos,
Próximo capítulo.  "No café da manhã"

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